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13/02/2004 09:57
COLUNA DO JOÃO
Contos, Crônicas, Poesias etc...

O João Mário escreveu um texto inédito pra coluna dele aqui no blog.
Valeu João Mário!

NOSTALGICO

É... bem, talvez... De qualquer forma tenho quase certeza de que da maneira que as coisas vão ou a vaca vai pro brejo ou atola antes. Não sou politicamente correto ou moralmente ilibado e puro com relação a assuntos cibernéticos e mídia virtual e Internet e globalização de Deus e o mundo, mas acredito que certamente posso vir a entender que posso ser o que queira e pense e não o que querem que eu seja e pense, ora, pombas, sei lá.
Não tenho uma opinião formada sobre esses sites e blogs que pululam dia após dia, minuto após minuto, diante de nossa perplexidade e total incapacidade de acompanhar seu frenético ritmo. A própria globalização já previu esse tipo de atitude desnorteada: a busca. A busca de si, a busca do elogio, a busca da percepção. Todos querem ser percebidos, vistos, avaliados, criticados pro bem ou pro mal. Todos querem dizer: ei... estou aqui e sou bacana à pampas.
Eu não gosto de pornografia. Acho isso tudo um esgoto sem fundo, mas ela está aí, na nossa cara. Fedendo nas telas, nos sites mais procurados pela rapaziada espinhenta e pelos marmanjos tarados. Está aí... A própria TV manipula a nossa libido, nos constrangendo em horário nobre a ver peitinhos e bundinhas ao lado da vovó ou do filho, na poltrona da sala. Onde isso vai parar? Onde pode parar, senão na vala comum da banalidade. Banal tornou-se o sonho.
Quantas vezes transpirei, adolescente, imaginando o corpo de uma menina... a curva dos seios, a barriguinha, os pelinhos insurretos, enfim... o mistério apenas aplacado por ingênuas publicações a que tínhamos acesso e que mostravam menos do que os biquínis de hoje em dia permitem vislumbrar... Não sei onde isso pode nos levar, mas talvez daqui a algum tempo seja mais misterioso descobrir um novo game de quinta dimensão, do que despir uma mulher, numa noite de amor... Noite de amor? Isso definitivamente não vai mais existir, porque daqui a algum tempo, não saberemos mais o que é isso – o amor - e nossos filhos nascerão em laboratórios e pesarão dez quilos ao nascerem e sairão da maternidade dominando a linguagem HTML e com Anti-Vírus instalado e recebendo direito de imagem.
Que saudades da minha Remington Rand portátil, onde escrevi os primeiro poemas e as primeiras cartas de amor. Hoje o Word sublinha de vermelho “Remington Rand”, pois desconhece o termo. Onde fomos parar? Acho mesmo que sou um saudosista conservador e careta, aos 33 anos, pois quero de volta minha máquina de escrever, quero poder ouvir meus vinis, quero de volta meu 3 em 1 e poder receber uma cartinha de amor, escrita à caneta, em papel perfumado, onde as palavras ali repousadas tinham mais força e uma durabilidade muito além do “ Editar-salvar” . Uma durabilidade de espera, encanto, verdade e memória.
João Mário Fleury
12/02/04

Outas coisas
Sexta-feira.
Não tô afim de fazer nada. Queria ficar em casa, no meu quarto, na net, vendo tv ou ouvindo música, lendo.
A Plis tá querendo vir pra Petrópolis. Ainda não sei o que faremos, nem se ela virá mesmo.
No mais, bom fim de semana pra vocês!

Não é fácil (Marisa Monte)
Não é fácil, não pensar em você
Não é fácil, é estranho
Não te contar meus planos, não te encontrar
Todo o dia de manhã enquanto eu tomo o meu café amargo
é, ainda boto fé de um dia te ter ao meu lado
Na verdade, eu preciso aprender
Não é fácil, não é fácil

Onde você anda, onde está você?
Toda a vez que eu saio me preparo para talvez te ver
Na verdade eu preciso esquecer
Não é fácil, não é fácil

Todo o dia de manhã enquanto eu tomo o meu café amargo
é, ainda boto fé de um dia te ter ao meu lado
o que eu faço? O que eu posso fazer?
Não é fácil, não é fácil

Se você quissesse ia ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz que qualquer mortal
Na verdade não consigo esquecer
Não é fácil, é estranho

enviada por O Potchoko






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